terça-feira, 20 de março de 2012

Um gênio chamado Lionel Messi

Um mágico dos campos. Um fenômeno com dribles e gols. O principal artista da exibição mais admirada. 24 anos, muitas conquistas coletivas e incontáveis títulos e recordes pessoais. Este é Leonel Andrés Messi! Não apenas o melhor jogador do mundo nos últimos anos, mas sim uma raridade que encanta, e ao mesmo tempo, chega a assustar os apaixonados por futebol com a forma como atua dentro das quatro linhas.

Dias atrás analisava uma reportagem que confrontava Pelé ao argentino! Todos vão pensar em uma pesquisa sem fundamento, já que algo incontestável é que não há como se comparar nada com o eterno 10 do Santos; porém esta era uma pesquisa interessante e que destacava não o quão distante Messi está de Pelé, mas sim o quanto este argentino já fez no futebol mundial. Me interessei por este tema e apresento alguns dados neste post.

Messi assumiu o papel de principal protagonista da equipe catalã na temporada 2008/2009 – após o título das Olimpíadas com a seleção de seu país - e coincidentemente desde então, o Barcelona apresenta o melhor futebol do mundo. Na temporada seguinte, La Pulga fez 38 gols em 51 jogos (média de 0,74 por jogo) e ajudou o time a conquistar nada menos que seis títulos, sendo a Liga dos Campeões, o Campeonato Espanhol e o Título Mundial Interclubes. Foi premiado com o título da FIFA como melhor jogador do planeta; somado a estes vários títulos de revistas européias de renome.

Em 2009/2010 a média de gols subiu para 0,88 (47 gols em 53 jogos) e em 2011/12 subiu ainda mais, alcançando 0,96 (53 gols em 55 jogos) Mesmo sem muito brilho durante a Copa do Mundo na África, Messi recebeu de forma merecida novamente o prêmio de melhor jogador. Fato que também se repetiu em 2011, mais uma vez sem nenhum questionamento. O camisa 10 do Barça simplesmente faz o que quer da bola e em dias inspirados nos presenteia com espetáculos como a atuação de gala na goleada de 7 a 1 contra o Bayern Leverkusen recentemente (jogo em que mais um recorde foi atingido: 5 gols em uma mesma partida da Champions League).

Nestas últimas duas temporadas, Messi somou mais um título da Liga dos Campeões (10/11), dois campeonatos espanhóis (09/10 e 10/11), o título mundial da FIFA 2011 e supercopas. Sendo artilheiros em algumas dessas competições, recebendo ainda mais premiações da imprensa européia e sendo extremamente decisivo em jogos importantes (inclusive contra o Real Madrid em várias oportunidades). O que mais impressiona é como ele não para de evoluir, todos os adversários sabem do perigo que é ter como adversário, mas ninguém descobre a fórmula de como pará-lo.

Na data de hoje, Messi alcançou seu 234° gol com a camisa azul-grená, tornando-se assim o maior artilheiro da história do Barcelona (recorde que pertencia a Cesar Rodriguez até então com 232 gols) e anotando assim 54°gol em 45 jogos da temporada. Uma média assustadora de 1,2 gols por jogo!!! Este fato contribui ainda mais na argumentação de como o jogador fica melhor a cada ano. O aumento gradativo da média de gols é um indicativo de que dificilmente há algum jogador que possa superar o argentino nos próximos anos.

Ao compararmos estes valores com alguns dos principais atacantes da atualidade, a distância de realidades parece ser ainda maior. Pelos clubes que jogou (Sporting, Manchester e Real Madrid), Cristiano Ronaldo apresenta média de 0,55; Wayne Rooney tem média 0,43 com as camisas de Everton e Manchester; e por fim, o garoto Neymar alcança 0,56 gols por jogo com a camisa do Santos desde que subiu ao profissional. Enquanto isto, desde 2004, Messi apresenta-se com um valor próximo a 0,75 – isso significa que, na média, em cada 4 jogos, apenas em um deles o atacante não foi às redes.

Chegamos a um momento similar ao que foi o auge da carreira de Schumacher. A partir de um momento, recordes eram “inventados” para que o megacampeão parecesse ser mais incrível do que era (como se precisasse). Atualmente, Messi parece desafiar todas as estatísticas e se consolida cada vez mais com um gênio do futebol.

Os críticos de plantão irão levantar o ponto sobre a seleção argentina. Muito se fala que o super craque ainda deve muito com a camisa de seu país, mas o cenário é totalmente diferente e sou um daqueles que defende que por N fatores (entre eles entrosamento, tempo de preparação, posicionamento) as exibições com a camisa da seleção não conseguem retratar exatamente a grandeza do futebol de um jogador.

2012 caminha para mais um ano de estrelato na carreira de Messi, que pode ter seu ápice numa possível final da Champions League contra o Real Madrid e no provável quarto e consecutivo prêmio da FIFA como melhor jogador (será o primeiro a conquistar a premiação quatro vezes). Nos resta apenas aguardar mais feitos deste craque e ver até onde o mesmo consegue chegar! A princípio, parece não haver limites...

domingo, 11 de março de 2012

A imprensa e o “craque”

Há algum tempo contesto a condição de craque que o são paulino Lucas foi elevado. Um post (http://damarcadacal.blogspot.com/2011/06/dificil-realidade-sao-paulina.html) do final de junho do ano passado comprova: “E não acredito que Lucas seja a salvação, pois não o vejo como protagonista - posso me arrepender muito dessa frase, mas acredito que este apenas seja um bom coadjuvante.” E isto se intensifica a cada dia...

A cada apito final de um jogo do São Paulo, me questiono o porquê de tanta badalação ao camisa 7 tricolor. Lucas (ainda Marcelinho na época) ganhou destaque nacional ao ser o principal jogador do time que conquistou o título da Copa São Paulo 2010 sobre a equipe santista.

Diretoria e comissão técnica depositavam muitas fichas no menino. Lucas subiu para a equipe profissional já com status de um dos principais jogadores da reformulada equipe do São Paulo, após a eliminação na Libertadores - já que a palavra de ordem era investimento na base.

Interesse das maiores equipes européias por cifras inacreditáveis começaram a surgir após a campanha no sul-americano pela seleção brasileira sub-20 fizeram que Lucas tivesse seu contrato renovado e se tornasse um dos jogadores mais valorizados do país ao lado de Neymar, Ganso e Ronaldinho. Convenhamos que “deitar e rolar” para cima dos meninos sul-americanos é tão valioso quanto às atuações de gala nos emocionantes e interessantíssimos campeonatos estaduais.

A própria torcida se empolgou e ovacionava o menino de forma impressionante. Talvez a carência de ídolos (Hernanes acabará de ser transferir para a Lazio) causou este entusiasmo exagerado. Foi convocado para os jogos seleção principal, inclusive estava no grupo da vexatória campanha na Copa América (e agora já é nome certo nas listas de Mano Menezes).

Jornais e revistas começaram a supervalorizar as jogadas do garoto e a imprensa lançava ao mundo o “Neymar do São Paulo”. Era irreversível, nascia o CRAQUE Lucas...

Desde sua estréia, Lucas fez sim alguns belos gols, jogadas de muita classe e deu assistências em rápidos contra golpes, mas nunca foi decisivo. Se analisarmos os jogos decisivos ou clássicos, veremos Lucas quase 100% do tempo no lado direito do ataque esperando a bola chegar. Não se apresenta e o quando o faz, é sem objetividade!

É chavão, mas antes arriscar do que se omitir. Muito se falava de Dagoberto, mas considerava um absurdo ver o nome do ex-camisa 25 ser gritado de forma menos intensa que o do meia no Morumbi. Enquanto jogaram juntos, Dagoberto foi muito mais “craque” que Lucas.

Não tenho as estatísticas, mas muitos cartões, faltas e chances de gol para o adversário devem ter sido gerados dos excessos de Lucas. Recentemente o terceiro gol sofrido no clássico com Palmeiras é um belo exemplo! Muito se fala da postura de Casemiro, mas o vejo exatamente na mesma situação para Lucas: foram convencidos de que podiam ser protagonistas, mas são apenas bons jogadores dentro de um qualificado time.

Não há como dizer que o são paulino é craque! Neymar sim é craque e merece aparecer em todos os programas de TV, ser fotografado e dar entrevistas no carnaval em Salvador, e falar o que quiser nas redes sociais. O santista faz por merecer, vide os 4 títulos conquistados e as atuações espetaculares quando o time alvinegro precisa. Atualmente, Lucas tem todos esses momentos de Neymar fora de campo, mas quando a bola rola isso não se repete. É sim um garoto diferenciado, porém a imprensa criou mais um “monstro” que foi convencido que pode decidir sozinho.

Lucas deveria preocupar-se em jogar futebol primeiro e justificar tudo que “conquistou” até agora. Deve muito para a torcida que se empolga com a habilidade ímpar que o mesmo possui, mas a decepção já toma parte dos torcedores e em breve a cobrança irá chegar (como esse menino me faz lembrar a história de Kaká pelo time do Morumbi!!!). Acredito que ele possa ser muito importante durante este ano, mas como um daqueles coadjuvantes essenciais que toda equipe necessita.

Apenas Rogério Ceni e Luis Fabiano possuem potencial para serem decisivos neste elenco do São Paulo. Lucas é tão importante quanto Cortez, Cícero ou Jadson e juntamente com estes pode fazer a diferença, mas se continuar comportando como atualmente, apenas atrapalhará.

Veremos as cenas dos próximos capítulos! Serão novas atuações de Raí contra Catanduvenses ou Linenses e omissão em grandes jogos ou Lucas realmente tem qualidade para ser o principal do São Paulo, e posteriormente de um Chelsea, Inter ou Barcelona? O quanto que a participação da imprensa pode ser negativa na carreira de bons jogadores que são convencidos de que podem ser um novo Pelé? Qual a parcela de culpa da diretoria do São Paulo na formação deste craque ao lança-lo em um equipe em formação?