segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Ceará x Palmeiras deste fim de semana trouxe à tona um aspecto interessante do futebol brasileiro: o contrato com cláusula de titularidade

Desde que o centro-avante chegou ao Palmeiras, Felipão tem sido alvo de cobranças para a escalação de Wellington Paulista ao lado de Kléber no ataque palmeirense. Eu sempre tive a convicção de que ele não seria titular, por dois motivos: o primeiro, o contexto em que se deu sua contratação - vale lembrar que, na época, Dinei, o único reserva para Kléber, se machucou gravemente e o Palmeiras estava na disputa em duas competições; e a mudança tática que seria necessária na equipe.

Nessa segunda passagem do técnico no clube alviverde, a estrutura base do time foi sempre um 4-2-3-1, com raras alterações, dependendo das circunstâncias do jogo ou lesões. Essa ‘insistência’ é tornou o limitado grupo do Palmeiras um time, sem grandes variações e com pouca criatividade, mas sólido.

Diante do desfalque de Luan na partida deste fim de semana, o esperado era a entrada de Patrik nesse time-base, sem mais alterações. Felipão, no entanto, surpreendeu, e promoveu a entrada de Chico, mudando a configuração do time, que atuou num 4-3-1-2. Wellington Paulista, nas últimas partidas atuando como o meia pela direita, agora teria a oportunidade de atuar em sua posição natural como titular.

Não digo que isso foi o fator chave para a derrota do time palmeirense - seria simplista e superficial uma análise assim - mas a mudança trouxe sim complicações à equipe paulista, especialmente para lidar com os ofensivos laterais do time Cearense, com destaque ao lateral esquerdo Vicente.

A questão que coloco é a dificuldade dos atletas em geral compreenderem que, mesmo não sendo titulares, são importantes na composição de um elenco. E que muitas vezes, o atual cenário do futebol brasileiro torna os clubes e técnicos reféns da falta de opções no mercado: naturalmente que antes a possibilidade contar com um Wellington Paulista do que sair à procura de um centro-avante, que não há.

O ponto, portanto, é cada atleta ter a percepção de seu espaço no elenco. O de Wellington Paulista, a meu ver, é a reserva de Kléber.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo post Felipe Gomes!

    A cada dia vc se supera! Esse título foi o maior de todos!

    Seu jornalismo investigativo trouxe, ao público do blog, um grave cancer do futebol professional.

    Contratos, clausulas, direitos de imagem e comissões de venda que amarram e definem escalações dos times, mesmo com técnico experientes como Felipão (não o Autor, sim o Scolari!)

    Gostaria de saber a opinião do autor de como curar este tumor no panorama de escassez de bons jogadores de definição?

    Alberto (ansioso pelo prx post de Felipão Gomes!)

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