quarta-feira, 29 de junho de 2011

A grande incógnita da Copa América não serão nem Brasil nem Argentina: serão os ‘coadjuvantes’

Talvez tenhamos neste ano, e acredito realmente nisso, uma rara Copa América com mais de dois candidatos ao título. Os motivos: continuidade de trabalho e uma geração talentosa do futebol sul-americano.

Antes de falar sobre os ‘coadjuvantes’ que podem “surpreender”, a análise das duas seleções obviamente de maior destaque: Brasil e Argentina.

O Brasil, apesar de desempenho questionável (não para mim, aliás) nos amistosos que fez, sinaliza com uma escalação que seria tida como ideal e quase irreal quando comparamos à qualidade do time que nos representou na Copa, mas que não passa meramente da seleção de fato dos melhores jogadores que temos no momento. Acredito que este time irá sim tomar corpo e conseguir aliar sua técnica indiscutível à consistência que precisa.

A Argentina tem, ao contrário do que comumente se diz, o desafio de formar toda a estrutura do time, e não somente seu “setor defensivo”. Mas tem a seu favor a possibilidade de contar com o melhor jogador do mundo e a regularidade dos diversos ótimos jogadores que compõem seu elenco. Se Sérgio Batista não parece o técnico ideal para administrar essa qualidade, algumas decisões que tomou me pareceram muito acertadas, como o reaparecimento de Tévez na lista de convocados (e possivelmente como titular) e a promoção de Lavezzi entre os titulares, mais do que merecida após sua excelente temporada no Napoli.

Uruguai: após participação mediana nas Eliminatórias, a seleção uruguaia foi de fato a grande surpresa da Copa do Mundo de 2010. Dos 23 atletas convocados para a Copa América, 20 estiveram na última edição do mundial, o ótimo técnico Óscar Tabárez foi mantido bem como o time-base. As grandes questões serão Diego Forlán, que não teve nesta temporada europeia nenhum momento do brilhantismo que apresentou na Copa, mas que é de fundamental importância para o time (como atacante ou mais acentuadamente como meia); e Edinson Cavani, que possivelmente será cobrado pelo mesmo protagonismo que apresentou no Napoli.

Paraguai: a outra seleção que aposta na continuidade. Após brilhante participação nas Eliminatórias e boa presença na Copa do Mundo, a base foi mantida, a começar pelo técnico Gerardo Martino. O time é consistente e, se há alguma aposta em algum talento individual, certamente que este é Lucas Barrios, após sua boa temporada que culminou com o título da Bundesliga pelo Borussia Dortmund.

Chile: serei voto vencido, mas pra mim foi a seleção com o futebol mais atraente ao lado da Alemanha na Copa do Mundo. Se por um lado o técnico Marcelo Bielsa não foi mantido, os bons valores como Waldo Ponce na zaga, Arturo Vidal no meio e, principalmente, o cobiçadíssimo Alexis Sánchez poderão trazer de volta um pouco do bom futebol precocemente eliminado no mundial do ano passado.

Serão três adversários duros, que poderão colocar em xeque o título que não é da Argentina desde 1993 ou que poderia dar maior estabilidade para continuidade do trabalho de Mano Menezes.

3 comentários:

  1. Muito bom, caros colegas! Nada melhor que enfrentar o “patinho feio” da América do Sul para embalar na estreia. Atualmente, a Bolívia é considerada a seleção mais fraca do continente e, sem o “poder” da altitude, deve ser presa fácil para Argentina e Colômbia no Grupo A. Sua sorte é que a Costa Rica, o quarto integrante, disputará o torneio com um time Sub-23.

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  2. E o México? Não é também um coadjuvante que pode "surpreender"?

    Obs: parabéns pelo Post!

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  3. O time do México não é o time "oficial", são quase todos jogadores da sub-22.

    Se eu fosse palpitar, colocaria até a seleção da Colômbia na frente da do México.

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