quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um São Paulo com (velhos) problemas; um São Paulo promissor: a diferença entre os 45min

Apesar dos 3x0 no último jogo pela Copa Sulamericana, o São Paulo não fez uma boa partida, como não fez também no jogo de ida. Mas o que explica, então, a vitória do time do Morumbi? A meu ver, uma única circunstância da partida: o primeiro gol.

A tônica do primeiro tempo foi um São Paulo completamente anulado pelo time cearense, com a evidente falta de um ‘pensador’ no seu meio de campo. Este tipo de jogador, diga-se, nunca foi uma necessidade prioritária no time paulista (lembre-se que o time campeão brasileiro em 2008 não tinha nenhum jogador com essa característica), mas ficou muito clara no duelo desta quarta-feira. Apesar da boa movimentação, especialmente de Fernandinho e Dagoberto, o que acontecia quando a bola chegava nos dois? O time acelerava. E quando chegava em Lucas? De novo, o time acelerava. Porém, sem um jogador de referência, a equipe apenas circundava a área, sem penetração. As aproximações dos laterais – raras, outra deficiência do time – também não eram produtivas, pela mesma razão.

No segundo tempo, entretanto, é que sobressaíram as virtudes do São Paulo. A primeira delas, o bom elenco que possui, que se não é equilibrado, traz boas opções para o técnico Adilson Batista. O gol de Cícero deu margem, assim, ao cenário mais favorável para o time tricolor: a possibilidade de acelerar e contra-atacar.

E como é veloz! Não sou um admirador do futebol de Lucas, porque acredito que tem limitações técnicas para ser meia, mas é inegável sua letalidade quando possui espaço para avançar coma bola dominada. E foi explorando essa característica é que nasceu o terceiro gol, que sacramentou a classificação do time do Morumbi às oitavas de final.

Fato é que essa distinção dos dois tempos retrata bem as oscilações deste time. O São Paulo precisa de um meia? Não. Precisa encontrar uma maneira de encontrar espaços quando não há, para usufruir de sua mais forte característica: sua velocidade.

Obs: Rivaldo, na minha opinião, não deve ser titular. E não deve jogar todos os jogos, ainda que se diga preparado, pois seguramente não suportaria o excessivo número de jogos. Ele deve ser aproveitado em algumas situações de jogo, já que, jogando como meia, cadencia em demasia o jogo; contrastando não só com o time, mas com a maneira como o próprio Adilson gosta de montar suas equipes.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Onde jogará Fábregas neste Barcelona? No banco

Entre as coisas que me incomodam no futebol, principalmente nos grandes clubes, são as contratações que eu diria ‘sem fundamento’, aquelas que não vêm nem para preencher uma lacuna de elenco nem ao menos melhorar a qualidade do atual. A contratação de Fábregas pelo Barcelona se enquadra nesta categoria.

Em primeiro lugar, porque para mim não há outro nome senão tolice essa obsessão do time catalão pelo jogador. Em segundo, é difícil imaginar mudanças na equipe titular, que teria que se ajustar (muito) apenas para proporcinar a entrada do camisa 4.

Vamos às possibilidades (parto do pressuposto, notavelmente observado nas últimas temporadas, que Busquets, Xavi e Iniesta são intocáveis neste time). Mantido o tradicionalíssimo 4-3-3, a única alternativa seria deslocar Iniesta para a ponta direita, no lugar de Pedro (ou de Alexis Sanchéz?!), com Fábregas entrando no time como meia pela esquerda.

Uma segunda alternativa seria o 4-2-3-1 já testado na temporada 2009/2010, com a diferença de que Messi seria o ‘centroavante’, ao invés do meia pelo centro como foi na citada temporada. Assim, Busquets e Fábregas seriam a dupla de volantes, com Iniesta, Xavi e Pedro (ou Alexis Sanchéz) como articuladores.

Uma terceira, mais radical, seria o 3-4-3 testado em alguns momentos da temporada passada. Neste, Busquets poderia ser recuado como líbero, Fábregas e Xavi a dupla de volantes, Abidal e Daniel Alves nas alas, e no trio de ataque, Iniesta pela ponta esquerda (Villa ou Pedro cederiam espaço, neste caso). Teoricamente, este poderia até jogar na meia esquerda, embora não o tenhamos visto jogar nesta posição especificamente ainda.

Fato é, percebe-se, que a chegada de Alexis Sanchéz já nos forçou a especular como jogaria este time. Mais complicado ainda o fazer após a chegada de Fábregas. O ponto de equilíbrio, no entanto, é o talento de Pep Guardiola à frente de seu time, que a cada ano de seu comando trouxe mudanças positivas para a equipe.

Ele pode até fazer com que tantos excelentes jogadores consigam atuar (e bem) juntos. Mas certamente concordaria que, entre todas as posições de seu elenco, o que ele menos precisava era um meia.

Mascherano, nas poucas vezes em que foi titular, jogou boa parte como zagueiro. A história pode se repetir nessa temporada.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Botafogo x Vasco: o Botafogo de amanhã pode ser o Vasco de hoje

De certa forma, o Botafogo é o time do Brasileirão que me traz, à mesma proporção, reticência e expectativa. Neste domingo, deu mostras de que sua campanha deve pender mais para a segunda.

Se no meu post anterior sobre o time minha análise foi mais fria e mais crítica, dessa vez vou me ater mais às virtudes do time, sem, porém, a exaltação que existiria após esse (no mínimo) particular 4 x 0 no clássico do fim de semana.

A começar pelo seu treinador. Desde que retornou, Caio Júnior tem enfatizado a experiência que teve no Japão e o que o trabalho pode render num médio prazo. Se o técnico não possui um currículo que lhe valha a unanimidade, um fato não se pode negar: ele é o técnico de bons feitos em prazos mais extensos (Paraná em 2006, Palmeiras em 2007, ainda que esta última sem atingir os objetivos ao final do ano).

Da mesma maneira, ele tem destacado, partida após partida, os trabalhos táticos que tem desenvolvido; o que de certa maneira, juntamente com a evolução nítida da equipe, é um indicativo de que hoje é um treinador mais maduro.

À parte esse aspecto, o time tem qualidade, subestimada no início do campeonato. Tem um centroavante que faz o melhor trabalho de pivô no Brasil (Loco Abreu evidencia cada vez mais a carência que temos dessa posição), meias criativos (Elkeson pode ser eleito uma das revelações do campeonato) e uma dupla de volantes com grande potencial (Renato teve uma atuação excelente neste domingo). A linha de zaga é mediana, mas tem entrado em equilíbrio e evoluído conjuntamente ao time.

O que enxergo neste Botafogo é o que vi no começo do ano com o Vasco. Um elenco mediano, montado lentamente ao longo de anos, reforçado adequada e pontualmente em algumas posições chaves. E que pode render bons frutos com a paciência que este trabalho exige.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E a Copa Sulamericana vai começar!

Se antes esta Copa significava somente dinheiro, agora substitui a Copa do Brasil como o “caminho mais curto para a Libertadores”. Dia 14 de Dezembro conheceremos o campeão do torneio, que estará classificado para a Libertadores de 2012.

Segue uma breve análise com meus palpites para os confrontos desta fase:

Vasco x Palmeiras

Não há como não se lembrar daquele histórico 4x3 ao se falar em Vasco e Palmeiras na Copa Sulamericana (na época Mercosul). Com certeza estes próximos jogos não nos proporcionarão as mesmas emoções de 1999, mas é o principal embate entre brasileiros nesta fase da competição.

A equipe vascaína faz uma ótima campanha no ano de 2011. Ricardo Gomes possui um belo time e algumas boas opções de reposição. Ao contrário do que se pensava, o time não se acomodou após título da Copa do Brasil e a vaga assegurada na Libertadores 2012. Mas muito provavelmente o comprometimento do time de Juninho, Diego Souza, Dedé e cia não será mantido até o final do ano, logo menos o relaxamento natural fará parte do dia a dia de São Januário e o foco será a preparação para a principal competição da América Latina no primeiro semestre do ano que vem.

Um time cheio de limitações, mas organizado e com um competente técnico. Este é o Palmeiras 2011! Apenas duas derrotas no campeonato nacional e 10 gols sofridos em 15 jogos. Com a chegada de Henrique, o Verdão está ainda mais forte para o segundo semestre. É evidente que essa equipe nunca chegará a dar espetáculo, mas um time seguro e marcador que conta com os diferenciados Kléber e Valdívia para desequilibrar no ataque.

Diferente de 12 anos atrás, meu palpite são jogos sem muita movimentação e o copeiro Felipão levando o Palestra à próxima fase para enfrentar Aurora (BOL) ou San José (BOL) x Nacional (PAR).

Atlético-MG x Botafogo

O inconstante time mineiro (4 vitórias, 3 empates e 8 derrotas no Brasileiro) enfrenta o equilibrado time do Botafogo (atualmente em 6° no nacional). Os dois alvinegros não conseguem ter performances equivalentes a seus rivais há anos e talvez as duas equipes que mais estejam em dívida com suas torcidas pelo tempo sem vencer um título de expressão.

A consistência do meio campo botafoguense, reforçada pela chegada de Renato, é o que se tem a destacar nesta partida. O sempre contestado Caio Júnior desempenha bom trabalho com o time e apesar de não possui um elenco qualificado consegue colocar o Fogão como forte candidato a uma vaga na Libertadores de 2012. Loco Abreu, Elkeson e Maicosuel podem fazer a diferença nestas duas partidas.

Mais um ano de fracasso para a equipe mineira. Assim como no ano passado, a equipe atleticana deve brigar para não jogar a série B no próximo ano. Agora sem o bom Dorival Júnior, o Atlético-MG junta os cacos para tentar algo contra o time de General Severiano. Cuca salvará o Galo do rebaixamento, mas não há como imaginar nada além disto para o 2011 atleticano com um time recheado de incógnitas depois de péssimos investimentos.

A análise dos jogadores que compõem os elencos mais resultados obtidos este ano apontam o Botafogo como favorito para este confronto. O time carioca duelará com Deportivo Cali (COL) ou Univ. Cesar Vallejo (PER) x Santa Fé (COL).

Ceará x São Paulo

Teoricamente o jogo mais fácil desta rodada. Apesar de todos os problemas na zaga, o tricolor é franco favorito nesta partida. O Ceará não demonstra a mesma força do ano passado, nem mesmo jogando no Vozão - o próprio São Paulo já derrotou a equipe cearense em seus domínios este ano.

A equipe são-paulina conta com ótimas opções de meio campo e que possibilitam variações com Denilson, Jean, Wellington, C. Paraíba, Lucas, Rivaldo, Marlos, Cícero (em breve Cañete e Casemiro reforçarão esta lista). Nenhuma equipe brasileira possui potencial equivalente para este setor e creio que este será o diferencial do São Paulo não somente nos confrontos contra o Ceará, mas em todas as partidas que vir a disputar este ano.

Nem mesmo o grande apoio da torcida no Presidente Vargas e a presença do pentacampeão Edmilson indicam que o Ceará colocará obstáculos no caminho são paulino. A equipe poderá concentrar suas forças na (difícil) luta contra o rebaixamento.

Caso o time do Morumbi não repita o vexame do primeiro semestre contra o Avaí, será o adversário de Libertad (PAR) ou La Equidad (COL)/Juan Aurich (PER).

Flamengo x Atlético-PR

O primeiro cada vez mais se consolida como candidato ao título do Brasileirão e o segundo em um ritmo lento vai mostrando que não será o saco de pancadas do campeonato brasileiro. Justamente as posições das equipes no campeonato farão deste duelo rubro-negro o mais imprevisível entre os brasileiros. A taça e a manutenção na série A são os objetivos dos times e dessa forma não devem entrar com força máxima nesta competição.

O momento do Flamengo é especial! Ronaldinho volta a ser decisivo, Luxemburgo volta a comandar como o velho Luxa e a torcida começa a dar créditos a esta ótima equipe: Felipe, Léo Moura, David Braz, Alex Silva e Júnior César; Airton, Willians, Renato e Thiago Neves; Ronaldinho e Deivid. O "profexô" não possui um elenco competitivo para os dois campeonatos e deve aproveitar o embalo das últimas 4 vitórias e priorizar o título nacional.

Três vitórias, dois empates e duas derrotas. Esta é a campanha de Renato Gaúcho à frente do Furacão. Uma bela recuperação para um time que tinha somado apenas 1 ponto em 8 rodadas. O discurso dos jogadores é que ganharam confiança com a chegada do atual treinador – algo que os outros quatro técnicos que passaram pela equipe este ano não conseguiram. Agora o foco é se manter na principal competição nacional; e este time não parece ter potencial para repetir as campanhas de Goiás e Fluminense dos últimos anos.

Entre os dois desinteressados, meu palpite é a classificação do Atlético. Confio que Dep. Concepción ou Universidad de Chile x Fénix (URU) ou Nacional (URU) terá como adversário a equipe paranaense.