quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um São Paulo com (velhos) problemas; um São Paulo promissor: a diferença entre os 45min

Apesar dos 3x0 no último jogo pela Copa Sulamericana, o São Paulo não fez uma boa partida, como não fez também no jogo de ida. Mas o que explica, então, a vitória do time do Morumbi? A meu ver, uma única circunstância da partida: o primeiro gol.

A tônica do primeiro tempo foi um São Paulo completamente anulado pelo time cearense, com a evidente falta de um ‘pensador’ no seu meio de campo. Este tipo de jogador, diga-se, nunca foi uma necessidade prioritária no time paulista (lembre-se que o time campeão brasileiro em 2008 não tinha nenhum jogador com essa característica), mas ficou muito clara no duelo desta quarta-feira. Apesar da boa movimentação, especialmente de Fernandinho e Dagoberto, o que acontecia quando a bola chegava nos dois? O time acelerava. E quando chegava em Lucas? De novo, o time acelerava. Porém, sem um jogador de referência, a equipe apenas circundava a área, sem penetração. As aproximações dos laterais – raras, outra deficiência do time – também não eram produtivas, pela mesma razão.

No segundo tempo, entretanto, é que sobressaíram as virtudes do São Paulo. A primeira delas, o bom elenco que possui, que se não é equilibrado, traz boas opções para o técnico Adilson Batista. O gol de Cícero deu margem, assim, ao cenário mais favorável para o time tricolor: a possibilidade de acelerar e contra-atacar.

E como é veloz! Não sou um admirador do futebol de Lucas, porque acredito que tem limitações técnicas para ser meia, mas é inegável sua letalidade quando possui espaço para avançar coma bola dominada. E foi explorando essa característica é que nasceu o terceiro gol, que sacramentou a classificação do time do Morumbi às oitavas de final.

Fato é que essa distinção dos dois tempos retrata bem as oscilações deste time. O São Paulo precisa de um meia? Não. Precisa encontrar uma maneira de encontrar espaços quando não há, para usufruir de sua mais forte característica: sua velocidade.

Obs: Rivaldo, na minha opinião, não deve ser titular. E não deve jogar todos os jogos, ainda que se diga preparado, pois seguramente não suportaria o excessivo número de jogos. Ele deve ser aproveitado em algumas situações de jogo, já que, jogando como meia, cadencia em demasia o jogo; contrastando não só com o time, mas com a maneira como o próprio Adilson gosta de montar suas equipes.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Onde jogará Fábregas neste Barcelona? No banco

Entre as coisas que me incomodam no futebol, principalmente nos grandes clubes, são as contratações que eu diria ‘sem fundamento’, aquelas que não vêm nem para preencher uma lacuna de elenco nem ao menos melhorar a qualidade do atual. A contratação de Fábregas pelo Barcelona se enquadra nesta categoria.

Em primeiro lugar, porque para mim não há outro nome senão tolice essa obsessão do time catalão pelo jogador. Em segundo, é difícil imaginar mudanças na equipe titular, que teria que se ajustar (muito) apenas para proporcinar a entrada do camisa 4.

Vamos às possibilidades (parto do pressuposto, notavelmente observado nas últimas temporadas, que Busquets, Xavi e Iniesta são intocáveis neste time). Mantido o tradicionalíssimo 4-3-3, a única alternativa seria deslocar Iniesta para a ponta direita, no lugar de Pedro (ou de Alexis Sanchéz?!), com Fábregas entrando no time como meia pela esquerda.

Uma segunda alternativa seria o 4-2-3-1 já testado na temporada 2009/2010, com a diferença de que Messi seria o ‘centroavante’, ao invés do meia pelo centro como foi na citada temporada. Assim, Busquets e Fábregas seriam a dupla de volantes, com Iniesta, Xavi e Pedro (ou Alexis Sanchéz) como articuladores.

Uma terceira, mais radical, seria o 3-4-3 testado em alguns momentos da temporada passada. Neste, Busquets poderia ser recuado como líbero, Fábregas e Xavi a dupla de volantes, Abidal e Daniel Alves nas alas, e no trio de ataque, Iniesta pela ponta esquerda (Villa ou Pedro cederiam espaço, neste caso). Teoricamente, este poderia até jogar na meia esquerda, embora não o tenhamos visto jogar nesta posição especificamente ainda.

Fato é, percebe-se, que a chegada de Alexis Sanchéz já nos forçou a especular como jogaria este time. Mais complicado ainda o fazer após a chegada de Fábregas. O ponto de equilíbrio, no entanto, é o talento de Pep Guardiola à frente de seu time, que a cada ano de seu comando trouxe mudanças positivas para a equipe.

Ele pode até fazer com que tantos excelentes jogadores consigam atuar (e bem) juntos. Mas certamente concordaria que, entre todas as posições de seu elenco, o que ele menos precisava era um meia.

Mascherano, nas poucas vezes em que foi titular, jogou boa parte como zagueiro. A história pode se repetir nessa temporada.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Botafogo x Vasco: o Botafogo de amanhã pode ser o Vasco de hoje

De certa forma, o Botafogo é o time do Brasileirão que me traz, à mesma proporção, reticência e expectativa. Neste domingo, deu mostras de que sua campanha deve pender mais para a segunda.

Se no meu post anterior sobre o time minha análise foi mais fria e mais crítica, dessa vez vou me ater mais às virtudes do time, sem, porém, a exaltação que existiria após esse (no mínimo) particular 4 x 0 no clássico do fim de semana.

A começar pelo seu treinador. Desde que retornou, Caio Júnior tem enfatizado a experiência que teve no Japão e o que o trabalho pode render num médio prazo. Se o técnico não possui um currículo que lhe valha a unanimidade, um fato não se pode negar: ele é o técnico de bons feitos em prazos mais extensos (Paraná em 2006, Palmeiras em 2007, ainda que esta última sem atingir os objetivos ao final do ano).

Da mesma maneira, ele tem destacado, partida após partida, os trabalhos táticos que tem desenvolvido; o que de certa maneira, juntamente com a evolução nítida da equipe, é um indicativo de que hoje é um treinador mais maduro.

À parte esse aspecto, o time tem qualidade, subestimada no início do campeonato. Tem um centroavante que faz o melhor trabalho de pivô no Brasil (Loco Abreu evidencia cada vez mais a carência que temos dessa posição), meias criativos (Elkeson pode ser eleito uma das revelações do campeonato) e uma dupla de volantes com grande potencial (Renato teve uma atuação excelente neste domingo). A linha de zaga é mediana, mas tem entrado em equilíbrio e evoluído conjuntamente ao time.

O que enxergo neste Botafogo é o que vi no começo do ano com o Vasco. Um elenco mediano, montado lentamente ao longo de anos, reforçado adequada e pontualmente em algumas posições chaves. E que pode render bons frutos com a paciência que este trabalho exige.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E a Copa Sulamericana vai começar!

Se antes esta Copa significava somente dinheiro, agora substitui a Copa do Brasil como o “caminho mais curto para a Libertadores”. Dia 14 de Dezembro conheceremos o campeão do torneio, que estará classificado para a Libertadores de 2012.

Segue uma breve análise com meus palpites para os confrontos desta fase:

Vasco x Palmeiras

Não há como não se lembrar daquele histórico 4x3 ao se falar em Vasco e Palmeiras na Copa Sulamericana (na época Mercosul). Com certeza estes próximos jogos não nos proporcionarão as mesmas emoções de 1999, mas é o principal embate entre brasileiros nesta fase da competição.

A equipe vascaína faz uma ótima campanha no ano de 2011. Ricardo Gomes possui um belo time e algumas boas opções de reposição. Ao contrário do que se pensava, o time não se acomodou após título da Copa do Brasil e a vaga assegurada na Libertadores 2012. Mas muito provavelmente o comprometimento do time de Juninho, Diego Souza, Dedé e cia não será mantido até o final do ano, logo menos o relaxamento natural fará parte do dia a dia de São Januário e o foco será a preparação para a principal competição da América Latina no primeiro semestre do ano que vem.

Um time cheio de limitações, mas organizado e com um competente técnico. Este é o Palmeiras 2011! Apenas duas derrotas no campeonato nacional e 10 gols sofridos em 15 jogos. Com a chegada de Henrique, o Verdão está ainda mais forte para o segundo semestre. É evidente que essa equipe nunca chegará a dar espetáculo, mas um time seguro e marcador que conta com os diferenciados Kléber e Valdívia para desequilibrar no ataque.

Diferente de 12 anos atrás, meu palpite são jogos sem muita movimentação e o copeiro Felipão levando o Palestra à próxima fase para enfrentar Aurora (BOL) ou San José (BOL) x Nacional (PAR).

Atlético-MG x Botafogo

O inconstante time mineiro (4 vitórias, 3 empates e 8 derrotas no Brasileiro) enfrenta o equilibrado time do Botafogo (atualmente em 6° no nacional). Os dois alvinegros não conseguem ter performances equivalentes a seus rivais há anos e talvez as duas equipes que mais estejam em dívida com suas torcidas pelo tempo sem vencer um título de expressão.

A consistência do meio campo botafoguense, reforçada pela chegada de Renato, é o que se tem a destacar nesta partida. O sempre contestado Caio Júnior desempenha bom trabalho com o time e apesar de não possui um elenco qualificado consegue colocar o Fogão como forte candidato a uma vaga na Libertadores de 2012. Loco Abreu, Elkeson e Maicosuel podem fazer a diferença nestas duas partidas.

Mais um ano de fracasso para a equipe mineira. Assim como no ano passado, a equipe atleticana deve brigar para não jogar a série B no próximo ano. Agora sem o bom Dorival Júnior, o Atlético-MG junta os cacos para tentar algo contra o time de General Severiano. Cuca salvará o Galo do rebaixamento, mas não há como imaginar nada além disto para o 2011 atleticano com um time recheado de incógnitas depois de péssimos investimentos.

A análise dos jogadores que compõem os elencos mais resultados obtidos este ano apontam o Botafogo como favorito para este confronto. O time carioca duelará com Deportivo Cali (COL) ou Univ. Cesar Vallejo (PER) x Santa Fé (COL).

Ceará x São Paulo

Teoricamente o jogo mais fácil desta rodada. Apesar de todos os problemas na zaga, o tricolor é franco favorito nesta partida. O Ceará não demonstra a mesma força do ano passado, nem mesmo jogando no Vozão - o próprio São Paulo já derrotou a equipe cearense em seus domínios este ano.

A equipe são-paulina conta com ótimas opções de meio campo e que possibilitam variações com Denilson, Jean, Wellington, C. Paraíba, Lucas, Rivaldo, Marlos, Cícero (em breve Cañete e Casemiro reforçarão esta lista). Nenhuma equipe brasileira possui potencial equivalente para este setor e creio que este será o diferencial do São Paulo não somente nos confrontos contra o Ceará, mas em todas as partidas que vir a disputar este ano.

Nem mesmo o grande apoio da torcida no Presidente Vargas e a presença do pentacampeão Edmilson indicam que o Ceará colocará obstáculos no caminho são paulino. A equipe poderá concentrar suas forças na (difícil) luta contra o rebaixamento.

Caso o time do Morumbi não repita o vexame do primeiro semestre contra o Avaí, será o adversário de Libertad (PAR) ou La Equidad (COL)/Juan Aurich (PER).

Flamengo x Atlético-PR

O primeiro cada vez mais se consolida como candidato ao título do Brasileirão e o segundo em um ritmo lento vai mostrando que não será o saco de pancadas do campeonato brasileiro. Justamente as posições das equipes no campeonato farão deste duelo rubro-negro o mais imprevisível entre os brasileiros. A taça e a manutenção na série A são os objetivos dos times e dessa forma não devem entrar com força máxima nesta competição.

O momento do Flamengo é especial! Ronaldinho volta a ser decisivo, Luxemburgo volta a comandar como o velho Luxa e a torcida começa a dar créditos a esta ótima equipe: Felipe, Léo Moura, David Braz, Alex Silva e Júnior César; Airton, Willians, Renato e Thiago Neves; Ronaldinho e Deivid. O "profexô" não possui um elenco competitivo para os dois campeonatos e deve aproveitar o embalo das últimas 4 vitórias e priorizar o título nacional.

Três vitórias, dois empates e duas derrotas. Esta é a campanha de Renato Gaúcho à frente do Furacão. Uma bela recuperação para um time que tinha somado apenas 1 ponto em 8 rodadas. O discurso dos jogadores é que ganharam confiança com a chegada do atual treinador – algo que os outros quatro técnicos que passaram pela equipe este ano não conseguiram. Agora o foco é se manter na principal competição nacional; e este time não parece ter potencial para repetir as campanhas de Goiás e Fluminense dos últimos anos.

Entre os dois desinteressados, meu palpite é a classificação do Atlético. Confio que Dep. Concepción ou Universidad de Chile x Fénix (URU) ou Nacional (URU) terá como adversário a equipe paranaense.


domingo, 31 de julho de 2011

A diferença sutil entre reforço e contratação, e a questão: o campeonato irá melhorar após a janela?

A janela de meio de ano tradicionalmente representa mais uma ameaça aos times brasileiros do que uma esperança de melhorias. Neste ano a realidade foi um pouco diferente, como se nota na lista de contratações e vendas a seguir:

*Obs: selecionei apenas os nomes que, na minha opinião, têm qualidade para pelo menos serem úteis aos clubes de destino
.

QUEM ENTRA
Atlético-MG: André (ATA – Bordeaux)
Atlético-PR: Rodriguinho (ATA – Fluminese); Edilson (LD – Grêmio)
Botafogo: Gustavo (ZAG – Lecce); Felipe Menezes (MEI – Benfica); Renato (MEI – Sevilla); Elkeson (MEI/ATA – Vitória)
Corinthians: Ramon (LE – Vasco); Emerson (ATA – Sem clube); Alex (MEI – Spartak Moscou)
Cruzeiro: Cribari (ZAG – Napoli); Charles (MEI – Santos)
Flamengo: Alex Silva (ZAG – Hamburgo); Airton (VOL – Benfica); Junior César (LE – São Paulo)
Fluminense: Rafael Sóbis (ATA – Internacional); Ciro (ATA – Sport); Martinuccio (ATA – Peñarol)
Grêmio: Gilberto Silva (VOL – Panathinaikos); Marquinhos (MEI – Avaí); Miralles (ATA – Colo Colo)
Internacional: Sandro Silva (VOL – Málaga); Jô (ATA – Manchester City)
Palmeiras: Henrique (ZAG – Barcelona); Maikon Leite (ATA – Santos)
Santos: Ibson (MEI – Spartak Moscou); Henrique (VOL/MEI – Cruzeiro); Alan Kardec (ATA – Benfica); Borges (ATA – Grêmio)
São Paulo: Denilson (VOL – Arsenal); Cícero (MEI – Wolfsburg); Píris (ZAG/LD – Cerro Porteño)
Vasco: Juninho Pernambucano (MEI – Al Gharafa); Renato Silva (ZAG – Shandong Luneng)

QUEM SAI:
Corinthians: Dentinho (MEI/ATA - Shaktar Donetsk); Bruno César (MEI – Benfica)
Cruzeiro: Henrique (VOL/MEI – Santos)
Fluminense: Conca (MEI – Guangzhou)
Grêmio: Borges (ATA – Santos)
Palmeiras: Danilo (ZAG – Udinese)
Santos: Jonathan (LD – Inter de Milão); Alan Patrik (MEI - Shaktar Donetsk); Maikon Leite (ATA – Palmeiras); Zé Eduardo (ATA – Genoa)
São Paulo: Rodrigo Souto (VOL – Jubilo Iwata); Junior César (LE – Flamengo); Miranda (ZAG – Atlético de Madrid)
Vasco: Ramon (LE – Corinthians)

O que se nota ao observar essas listas é que as perdas foram repostas de maneira geral com uma contratação de mesma qualidade. A questão que proponho é a seguinte: ao colocar na balança, quais destas contratações efetivamente contribuirão para melhorar a qualidade técnica geral do time?

A meu ver, seis. A chegada de Renato ao Botafogo, juntamente com os demais bons jogadores que formam seu elenco, colocou o clube na posição de brigar realmente por uma vaga na Libertadores até o final do campeonato. Alex foi certamente uma das grandes contratações desta janela, vale ressaltar que foi lembrado até mesmo por Dunga em quatro ocasiões. O Flamengo possui uma dupla de zaga apenas mediana, e a chegada de Alex Silva certamente dará maior estabilidade ao time carioca, até mesmo para elevar a média de altura da equipe (acredito que ele poderá novamente atuar em bom nível, ao contrário do final dessa sua segunda passagem pelo São Paulo). Se isso vale para o time rubro-negro, para o Palmeiras a perda de Danilo possivelmente não será tão sentida: Henrique já demonstrou sua qualidade na curta passagem em que conquistou o título paulista. Outro Henrique, o volante/meia do Cruzeiro, tem se destacado desde o ano passado, recebendo inclusive propostas da Europa (a Fiorentina investiu no jogador em mais de uma ocasião), e foi uma contratação que realmente me surpreendeu.

E chegamos ao último e acredito que seja o maior dos reforços desta janela. Denilson chegou ao São Paulo sem um terço da badalação de outras, como a de Alex e Renato, por exemplo. Mas, se o volante já destacou em outras temporadas no duríssimo campeonato inglês, é muito provável que seu futebol destoe positivamente no futebol brasileiro. A minha convicção pode soar exagerada, mas note como cada vez mais os volantes ditam o ritmo das partidas, muito mais do que os meias propriamente ditos, girando a bola pelos lados, alternando os momentos de verticalização, etc. Essa qualidade Denilson tem (veja o interessante artigo “A razão pela qual Arsene Wenger adora Denilson”).

Ainda assim, seis reforços de fato entre os vinte clubes da série A são um número baixo para o campeonato que esperamos. E que pode confirmar o que se discute e foi tema abordado inclusive neste blog: será que esta será a pior edição do Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos?

Nota: parece até uma contradição levantar essa questão depois do histórico Santos x Flamengo do meio da semana, mas garanto: falarei sobre isto futuramente.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Como o tal futebol está ficando chato!

Não bastassem punições para jogadores que nem foram advertidos com cartão amarelo durante os 90 minutos ou punir as equipes com perdas de mandos de campos por excessos de vandalismo de torcedores adversários, o STJD extrapola todos os limites com as possíveis punições de Kléber, Thiago Neves e Ronaldinho.

A atitude do Gladiador até pode ser questionável por tudo que envolve o fair play. Mas trata-se de uma escolha em que na maioria das vezes a hipocrisia (como o próprio Kléber classificou o “jogo limpo”) é acionada e se devolve uma bola ou se paralisa uma jogada. Quantas vezes não passa de uma simulação e a lealdade é completamente esquecida ao receber uma boa ação! O fair play não é uma regra, é opcional.

Kléber escolheu não agir para inglês ver e não deveria ser julgado. É um jogador autêntico (e como sofre por isto!). O futebol atualmente é tão sujo fora das quatro linhas e se faz toda essa tempestade por uma jogada que serve para desestabilizar o adversário - o psicológico e a inteligência fazem parte de qualquer esporte. Não fez o gol, mas o simples fato de mobilizar os 11 flamenguistas em campo podia render cartões e nervosismo ao se executar as jogadas.

Já as situações de Thiago Neves e Ronaldinho beiram o ridículo. Creio que no momento de se planejar para um disputadíssimo Campeonato Brasileiro, as equipes têm em mente onde estão os pontos perdidos e os pontos “fáceis”. Thiago Neves apenas externou que para o Flamengo (candidato ao título) é melhor ficar sem seus dois principais jogadores diante do fraquíssimo Ceará jogando em casa do que em jogos diante de Santos, Grêmio e Cruzeiro.

O empate no jogo de sábado pouca importa, não significa que o Flamengo se planejou mal. Significa que não cumpriu o dever de casa, ao não vencer o time cearense. Porque o jogador não pode ser sincero? Não é aceitável o Flamengo seja prejudicado uma rodada sequer sem os dois meias apenas porque Thiago Neves resolveu contar a todos que agiu com inteligência. Isto é apenas bom senso, não se trata de trapacear por trapacear, mas sim buscar ser competitivo de acordo com as ferramentas que possui.

Além destes casos, me chamou atenção a declaração de Dagoberto após o empate com o Atlético-GO: “Se eu peidar aqui é polêmico”. Mostra a revolta de um jogador que participou de 40% dos gols da equipe no campeonato e vê sua defesa não colaborar na campanha de seu time. Dagoberto sabe que se for sincero novamente (assim como foi ao classificar o time como limitado em rodadas anteriores) será mais uma vez cobrado, pode ter desconto em seu salário e será visto como a ovelha negra. No futebol não se aceita críticas construtivas, às vezes não se aceita a dura e simples verdade.

Cada ano que passa leva consigo um pouco da emoção que ainda resta no futebol, já que a interferência extra campo começou a ditar resultados (vide a perda do título brasileiro pelo São Paulo em 2009 graças as punições do STJD). Campeonatos não são feitos apenas de gols, defesas e dribles, mas sim de toda uma atmosfera que envolve diversos ingredientes. Os torcedores não querem ver robôs seguindo sempre as mesmas regras ou atitudes. O agir diferente, declarações ou desabafos devem fazer parte dos jogos (inclusive pré e pós). Sem isto, o futebol se iguala a uma partida de vídeo game em que tudo é pré-programado.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O título do Uruguai não marca seu renascimento: marca sua consolidação

Não irei comentar a conquista do título da Copa América pelo Uruguai, creio que esse assunto já foi devida e precisamente analisado anteriormente (veja aqui). Vou me ater em apenas um ponto: a duração do trabalho.

A continuidade de um trabalho pode não ser o fator decisivo para o sucesso, mas certamente é uma evidência ou prenúncio para isso. Embora essa ponderação tenha inúmeros exemplos como fundamento (cito alguns da História recente abaixo), no meio do futebol persiste a ideia de que a responsabilidade dos insucessos é majoritariamente do treinador.

Voltemos à Copa do Mundo de 2010. Dos quatro semifinalistas, Alemanha e Uruguai tinham seus trabalhos conduzidos desde 2006. Se os outros dois – Espanha e Holanda – tinham trocado de comando após a Eurocopa de 2008, a continuidade era evidente: tanto nos times-bases das equipes, como na própria estrutura tática, mantida até o embate dos dois na final do mundial.

O próprio Brasil serve de exemplo. Teve um início de trabalho na era Dunga muito difícil, com uma Copa América medíocre, ofuscada pelo título no confronto na final contra a Argentina – diga-se, a primeira e rara boa apresentação da seleção sob o comando do técnico. Na sequência, eliminatórias medianas, e a Copa das Confederações, em que o time criou identidade e assimilou as características que o tornaram competitivo, ainda que sem brilho.

Exemplos menos expressivos, mas caseiros, também ilustram o que pode render um trabalho de longo prazo. O Coritinhians teve um final de ano de 2010 frustrante, com a perda do título e a necessidade da disputa da pré-Libertadores de 2011. Veio com esta a última o pivô de um de seus maiores fracassos: a eliminação precoce do torneio sulamericano. Tite, no entanto, foi mantido, até mesmo depois da derrota na final do Paulista para o Santos. Hoje, mesmo que seja cedo para afirmar, o time paulista lidera o Brasileirão e é um dos favoritos à conquista.

Sou contra a interrupção de um trabalho sem o tempo necessário para desenvolvê-lo. A conquista da Copa América pelo Uruguai endossa minha lista para inferir que um trabalho duradouro é parte essencial para se atingir feitos que hoje parecem inalcançáveis.

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A seleção uruguaia, se permite um exercício de análise da trajetória no passado, permite também projeções interessantes.

Os principais jogadores – Diego Lugano, Álvaro Pereira, Diego Forlán, Edinson Cavani e Luis Suárez – terão, respectivamente, 32, 29, 35, 27 e 27 anos em 2014. Poderão ser a base da seleção nesta Copa, mesclando-se a jogadores mais jovens (o próprio Sebastián Coates, revelação da Copa América). E poderão formar mais uma equipe competitiva no cenário mundial.

Um trabalho mais duradouro do que se poderia imaginar.

domingo, 24 de julho de 2011

O merecido título da melhor seleção da América do Sul

Há 2 anos apenas a quinta seleção sulamericana, uma repescagem contra a Costa Rica (depois de duas repescagens contra a Australia) e poucos votos de confiança num time que tinha tudo para ser eliminado já na primeira fase de um dos grupos mais equilibrados da Copa do Mundo.

Após uma participação memorável com direito a um merecido quarto lugar e com o melhor jogador da Copa, o Uruguai vence a Copa América e se consolida como a melhor seleção da América do Sul. Uma seleção que não se destaca por jogadores excepcionais, mas principalmente pela raça, pela aplicação e união do grupo, sem abdicar de técnica e belas jogadas em seu jogo.

Lugano já comentou em entrevistas que justamente as dúvidas sobre o potencial da Celeste foram o fator chave para união e crescimento da equipe. É impressionante como a seleção uruguaia se entrega em campo e expande isto pelas arquibancadas. Não tem como negar que é a seleção que mais demonstra jogar por um ideal. Veja o que o próprio capitão declarou antes da final:

“A gente está valorizando muito esse trabalho. Valorizando o amor que a gente coloca na seleção. Queremos dar ao povo algo para comemorar e para se sentir orgulho e mostrar que o Uruguai não vive só de história, mas também do presente.”

Diego Lugano comemorando a conquista da Copa América

Enquanto a Argentina aguarda Messi desencantar e o Brasil não consegue formar um time mesmo com tantos craques surgindo a cada ano, o Uruguai volta ao cenário mundial. Volta empolgando comentaristas e torcedores!

Óscar Tábarez tem grandes méritos na “ressurreição” uruguaia! Pelo que me parece trabalha como um gestor de futebol. A orientação sobre os jogadores, o olhar para o investimento na base e a capacidade de transformar toda vontade de seus comandados em resultados credenciam este como um dos melhores trabalhos de treinadores no futebol mundial.

Analisem as convocações realizadas por Tábarez (técnico há mais tempo no comando de uma seleção sulamericana, desde 2006) para a repescagem contra a Costa Rica, para a Copa do Mundo do ano passado e para a Copa América 2011.

REPESCAGEM DA COPA DO MUNDO 2010:

Goleiros: Juan Castillo e Fernando Muslera

Defensores: Martín Cáceres, Carlos Valdez, Mauricio Victorino, Diego Lugano, Diego Godín, Andrés Scotti, Bruno Silva e Juan Manuel Díaz

Meias: Alvaro Pereira, Maximiliano Pereira, Alvaro Fernández, Sebastián Eguren, Walter Gargano, Diego Pérez e Jorge Martínez

Atacantes: Diego Forlán, Sebastián Fernández, Rodrigo López, Luis Suárez, Sebastián Abreu e Edinson Cavani

CONVOCADOS PARA COPA DO MUNDO NA ÁFRICA DO SUL:

Goleiros: Juan Castillo, Fernando Muslera e Martín Silva

Defensores: Martín Cáceres, Mauricio Victorino, Diego Lugano, Diego Godín, Andrés Scotti e Jorge Fucile

Meias: Alvaro Pereira, Maximiliano Pereira, Alvaro Fernández, Sebastián Eguren, Walter Gargano, Diego Pérez, Egidio Arévalo Ríos, Ignacio González e Nicolás Lodeiro

Atacantes: Diego Forlán, Sebastián Fernández, Luis Suárez, Sebastián Abreu e Edinson Cavani


ELENCO CAMPEÃO DA COPA AMÉRICA NA ARGENTINA:

Goleiros: Juan Castillo, Fernando Muslera e Martín Silva

Defensores: Martín Cáceres, Mauricio Victorino, Diego Lugano, Diego Godín, Andrés Scotti e Sebastian Coates

Meias: Alvaro Pereira, Maximiliano Pereira, Alvaro González, Sebastián Eguren, Walter Gargano, Diego Pérez, Egidio Arévalo Ríos, Cristian Rodriguez e Nicolás Lodeiro

Atacantes: Diego Forlán, Abel Hernández, Luis Suárez, Sebastián Abreu e Edinson Cavani

Comparando os elencos, temos que 16 dos 23 campeões sulamericanos estavam presentes nos jogos contra a Costa Rica pela repescagem. Já se a comparação for feita com a equipe quarta colocada na Copa do Mundo apenas Fucile, Alvaro Fernández, Ignacio González e Sebastian Fernández deram lugar a Coates, González, Rodriguez e Hernández. Algo importante a se destacar é que assim como Espanha e Alemanha, a Celeste possui uma equipe com média de idade baixa e dessa forma a maioria desses jogadores estará no Brasil em 2014. Somado a este excelente grupo, novos valores podem surgir das categorias de base (a seleção sub-20 já se classificou para os Jogos Olímpicos de 2012 e a sub-17 é atual vice-campeã mundial).

O Uruguai é a maior força da América do Sul, pode ser considerada uma das maiores equipes do futebol mundial e já não é sonho pensar em nova conquista de Copa do Mundo dentro do Maracanã.

Para finalizar apenas dois comentários sobre a final:

- Como jogam Suárez e Fórlan! Não apenas pelos belos gols (o terceiro uma pintura com participação de González e Cavani). A visão de jogo e posicionamento do primeiro é algo que se encontra em pouquíssimos atacantes no mundo, já o segundo é o craque deste time! Fórlan joga pelo time e nem parece ser o grande nome desta equipe. Aplica-se como todos os outros e quase todas as jogadas do time passam por ele de alguma forma.

- As faltas cometidas por Pérez, Cáceres e Maxi Pereira ainda no primeiro tempo (e que lhe renderam cartões amarelos) são lances que fazem parte do futebol e uma bela forma de intimidar o adversário. Algo que os uruguaios fazem com destreza! No Brasil isso é considerado quase um crime, um jogador que demonstra um “pouco mais de vontade” é quase crucificado (vide o clima que criaram para Felipe Melo até culminar em sua expulsão contra a Holanda). Não vejo nenhum jogador uruguaio fazendo firulas, assim como não vejo nenhum brasileiro com raça.

Parabéns, Uruguai!