Não bastassem punições para jogadores que nem foram advertidos com cartão amarelo durante os 90 minutos ou punir as equipes com perdas de mandos de campos por excessos de vandalismo de torcedores adversários, o STJD extrapola todos os limites com as possíveis punições de Kléber, Thiago Neves e Ronaldinho.
A atitude do Gladiador até pode ser questionável por tudo que envolve o fair play. Mas trata-se de uma escolha em que na maioria das vezes a hipocrisia (como o próprio Kléber classificou o “jogo limpo”) é acionada e se devolve uma bola ou se paralisa uma jogada. Quantas vezes não passa de uma simulação e a lealdade é completamente esquecida ao receber uma boa ação! O fair play não é uma regra, é opcional.
Kléber escolheu não agir para inglês ver e não deveria ser julgado. É um jogador autêntico (e como sofre por isto!). O futebol atualmente é tão sujo fora das quatro linhas e se faz toda essa tempestade por uma jogada que serve para desestabilizar o adversário - o psicológico e a inteligência fazem parte de qualquer esporte. Não fez o gol, mas o simples fato de mobilizar os 11 flamenguistas em campo podia render cartões e nervosismo ao se executar as jogadas.
Já as situações de Thiago Neves e Ronaldinho beiram o ridículo. Creio que no momento de se planejar para um disputadíssimo Campeonato Brasileiro, as equipes têm em mente onde estão os pontos perdidos e os pontos “fáceis”. Thiago Neves apenas externou que para o Flamengo (candidato ao título) é melhor ficar sem seus dois principais jogadores diante do fraquíssimo Ceará jogando em casa do que em jogos diante de Santos, Grêmio e Cruzeiro.
O empate no jogo de sábado pouca importa, não significa que o Flamengo se planejou mal. Significa que não cumpriu o dever de casa, ao não vencer o time cearense. Porque o jogador não pode ser sincero? Não é aceitável o Flamengo seja prejudicado uma rodada sequer sem os dois meias apenas porque Thiago Neves resolveu contar a todos que agiu com inteligência. Isto é apenas bom senso, não se trata de trapacear por trapacear, mas sim buscar ser competitivo de acordo com as ferramentas que possui.
Além destes casos, me chamou atenção a declaração de Dagoberto após o empate com o Atlético-GO: “Se eu peidar aqui é polêmico”. Mostra a revolta de um jogador que participou de 40% dos gols da equipe no campeonato e vê sua defesa não colaborar na campanha de seu time. Dagoberto sabe que se for sincero novamente (assim como foi ao classificar o time como limitado em rodadas anteriores) será mais uma vez cobrado, pode ter desconto em seu salário e será visto como a ovelha negra. No futebol não se aceita críticas construtivas, às vezes não se aceita a dura e simples verdade.
Cada ano que passa leva consigo um pouco da emoção que ainda resta no futebol, já que a interferência extra campo começou a ditar resultados (vide a perda do título brasileiro pelo São Paulo em 2009 graças as punições do STJD). Campeonatos não são feitos apenas de gols, defesas e dribles, mas sim de toda uma atmosfera que envolve diversos ingredientes. Os torcedores não querem ver robôs seguindo sempre as mesmas regras ou atitudes. O agir diferente, declarações ou desabafos devem fazer parte dos jogos (inclusive pré e pós). Sem isto, o futebol se iguala a uma partida de vídeo game em que tudo é pré-programado.
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