segunda-feira, 25 de julho de 2011

O título do Uruguai não marca seu renascimento: marca sua consolidação

Não irei comentar a conquista do título da Copa América pelo Uruguai, creio que esse assunto já foi devida e precisamente analisado anteriormente (veja aqui). Vou me ater em apenas um ponto: a duração do trabalho.

A continuidade de um trabalho pode não ser o fator decisivo para o sucesso, mas certamente é uma evidência ou prenúncio para isso. Embora essa ponderação tenha inúmeros exemplos como fundamento (cito alguns da História recente abaixo), no meio do futebol persiste a ideia de que a responsabilidade dos insucessos é majoritariamente do treinador.

Voltemos à Copa do Mundo de 2010. Dos quatro semifinalistas, Alemanha e Uruguai tinham seus trabalhos conduzidos desde 2006. Se os outros dois – Espanha e Holanda – tinham trocado de comando após a Eurocopa de 2008, a continuidade era evidente: tanto nos times-bases das equipes, como na própria estrutura tática, mantida até o embate dos dois na final do mundial.

O próprio Brasil serve de exemplo. Teve um início de trabalho na era Dunga muito difícil, com uma Copa América medíocre, ofuscada pelo título no confronto na final contra a Argentina – diga-se, a primeira e rara boa apresentação da seleção sob o comando do técnico. Na sequência, eliminatórias medianas, e a Copa das Confederações, em que o time criou identidade e assimilou as características que o tornaram competitivo, ainda que sem brilho.

Exemplos menos expressivos, mas caseiros, também ilustram o que pode render um trabalho de longo prazo. O Coritinhians teve um final de ano de 2010 frustrante, com a perda do título e a necessidade da disputa da pré-Libertadores de 2011. Veio com esta a última o pivô de um de seus maiores fracassos: a eliminação precoce do torneio sulamericano. Tite, no entanto, foi mantido, até mesmo depois da derrota na final do Paulista para o Santos. Hoje, mesmo que seja cedo para afirmar, o time paulista lidera o Brasileirão e é um dos favoritos à conquista.

Sou contra a interrupção de um trabalho sem o tempo necessário para desenvolvê-lo. A conquista da Copa América pelo Uruguai endossa minha lista para inferir que um trabalho duradouro é parte essencial para se atingir feitos que hoje parecem inalcançáveis.

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A seleção uruguaia, se permite um exercício de análise da trajetória no passado, permite também projeções interessantes.

Os principais jogadores – Diego Lugano, Álvaro Pereira, Diego Forlán, Edinson Cavani e Luis Suárez – terão, respectivamente, 32, 29, 35, 27 e 27 anos em 2014. Poderão ser a base da seleção nesta Copa, mesclando-se a jogadores mais jovens (o próprio Sebastián Coates, revelação da Copa América). E poderão formar mais uma equipe competitiva no cenário mundial.

Um trabalho mais duradouro do que se poderia imaginar.

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